Ciência e Saberes Tradicionais na Amazônia: Caminhos para o Diálogo Epistêmico e a Divulgação Científica
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23191999Palavras-chave:
Saberes tradicionais, Divulgação científica, Epistemologia do Sul, Amazônia, Diversidade do conhecimentoResumo
Este artigo tem como objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica, as possibilidades e os desafios do diálogo entre o conhecimento científico ocidental e os saberes tradicionais de povos indígenas e comunidades amazônicas, discutindo seu potencial para a divulgação científica e para a valorização da diversidade epistêmica no Brasil. Trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, fundamentada em literatura especializada em epistemologias do Sul, etnociência e divulgação científica, bem como em documentos institucionais recentes. Os resultados indicam que iniciativas de colaboração entre cientistas indígenas e não indígenas, como a publicação conjunta de pesquisas sobre conservação amazônica em periódicos internacionais, evidenciam a legitimidade e a complementaridade dos saberes tradicionais frente ao conhecimento científico ocidental. Observa-se, contudo, que barreiras institucionais, linguísticas e de reconhecimento acadêmico ainda dificultam a plena incorporação desses saberes aos processos formais de produção e divulgação da ciência. A discussão aponta que a construção de espaços de diálogo simétrico, a formação de pesquisadores indígenas e o fortalecimento de práticas de divulgação científica sensíveis à diversidade cultural são caminhos centrais para a superação dessas barreiras. Conclui-se que a valorização da diversidade epistêmica amplia o repertório de soluções para desafios socioambientais na Amazônia e fortalece o compromisso da ciência brasileira com uma construção do conhecimento mais plural e democrática.
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